8.21.2013

OS HITITAS



                Os Hititas, inimigos do Egito na antiguidade

 
Os Hititas eram um povo indo-europeu que, no II milénio a.C., fundou um poderoso império na Anatólia central (atual Turquia), cuja queda data dos séculos XIII-XII a.C.. Em sua extensão máxima, o Império Hitita compreendia a Anatólia, o norte e o oeste da Mesopotâmia até a Palestina.





História

Chamavam-se a si próprios Hatti, e a sua capital era Hattusa ou Hattusha. Os registros em baixo relevo e relatos da época descreviam os hititas como homens fortes, de estatura baixa, com barbas e cabelos longos e cerrados, possivelmente usados como proteção para o pescoço. Os cavalos eram venerados como animais nobres. Os encarregados de cuidar dos cavalos assumiam notoriedade na sociedade hitita.
Tal como os antigos egípcios, seus contemporâneos, detinham uma escrita hieroglífica. Sua principal arma eram os temidos carros de guerra com capacidade para três pessoas (um condutor e dois guerreiros, geralmente um deles utilizando um arco), uma inovação frente aos carros de guerra de 2 pessoas utilizados tradicionalmente por seus vizinhos.



O Faraó Ramsés II em conferência com os Hititas
 

O Tratado Egípcio-Hitita, usualmente designado por Tratado de Kadesh ou Tratado de Qadesh, foi um tratado de paz celebrado entre o Faraó egípcio Ramsés II e o rei hitita Hatusil III em 1259 a.c., que marcou o fim oficial das negociações entre as duas grandes potências do Médio Oriente da altura, que se seguiram aos conflitos armados de grandes proporções que culminaram na célebre batalha de Kadech, travada 16 anos antes. O acordo tinha como objetivo o estabelecimento de relações pacíficas entre as duas partes.
É o acordo diplomático e tratado de paz mais antigo que se conhece no Médio Oriente e é frequentemente apontado como o mais antigo do mundo, embora isso não corresponda à realidade. Porém, é o tratado mais antigo do mundo.  A tentativa de paz não deu certo, pois as relações entre os hititas e os egípcios continuaram a ser de inimigos durante muitos anos após aquele confronto.




A Batalha de Kadesh é o evento mais famoso da história hitita, quando o Príncipe Hattusilis, tio do Rei Muwatallis atacou de assalto o exército de Ramsés II do Egito nas proximidades da cidade de Kadesh. A dramática batalha (segundo relatos egípcios, o próprio faraó precisou usar a espada para salvar sua vida) terminou sem vencedores, mas ambos os lados reivindicaram a vitória. A batalha é ricamente detalhada em escrituras egípcias, e a descoberta dos sítios hititas na Turquia confirmaram o triunfo hitita contra o egito.
Depois da Batalha de Kadesh, os hititas se envolveram em uma guerra civil que esfacelou o império. Logo após a guerra, os hititas incendiaram Hattussa e fugiram para uma região desconhecida. Até hoje não se sabe qual foi o destino dos hititas. O imo do poderio hitita, bem como seu brio, havia sido deixado de lado quando as cidades mais poderosas de seu império foram devastadas em guerras civis e abandonadas por seu próprio povo, os hititas que antes nunca haviam sofrido uma derrota, tornaram-se alvo fácil para os povos do mar, sem suas capitais bélicas, o restante do império foi devastado por indo-europeus, conhecidos como povos do mar.

                                           Criaram o carro de Guerra para três guerreiros
  
  Os hititas também venceram outras grandes batalhas, e eram grandes inimigos dos gregos. Durante o apogeu do império, os hititas saquearam a cidade-estado da Babilônia, arrebataram cidades dos hurritas, e Alepo do Egito. Na Ásia menor, não havia povo tão evoluído quanto os hititas que, em sua cultura, assimilaram a tudo dos antigos povos que ali viviam, conhecidos como seus ancestrais, os hattis, bem como mantinham grande comunhão com Tróia, cidade na qual alguns estudiosos afirmam que, na época, pagava tributo a suserania hitita.

Os Hititas e a Bíblia

A Bíblia se refere aos " Hititas" em diversas passagens. Em Gêneses 10:15 (a tabela das nações) há a citação do primeiro antepassado dos hititas, "Hete". Filho de Canaã.
Os Hititas são contados desse modo entre os Cananeus. São descritos geralmente como pessoas que viveram entre os Israelitas entretando possuiam seus próprios reis, e eram suficientemente poderosos para pôr um exército sírio em fuga segundo o registro bíblico.

Arqueologia

Até fins do séc. XIX, tudo quanto se sabia sobre os Hititas provinha de pequenas referências na Odisséia, onde são chamados de khetas, e de algumas passagens do Velho Testamento. Ainda assim, desconhecia-se que essa referências aludiam a um mesmo povo.
Quando o arqueólogo, Henry Sayce, afirmou que os heteus do Antigo Testamento eram o mesmo povo que deixou diversos rastros na região da Ásia Menor, a comunidade acadêmica recebeu suas afirmações com descrédito, alcunhando-o de "o inventor dos hititas". A confirmação da teoria de Sayce veio por meio dos esforços de um arqueólogo alemão, Hugo Winckler (1863-1913), cujas escavações em Boghazköy, trouxeram à luz cerca de 10.000 tabletes em escrita cuneiforme, pertencentes aos arquivos dos reis de Khatti.
Após a morte prematura de Winckler, em 1913, a Sociedade Germânica Oriental confiou a publicação dos arquivos hititas a um grupo de assiriologistas. Um deles, o Prof Bedrich Hrozný, foi o autor da primeira gramática hitita, e estabeleceu o caráter indo-europeu da estrutura da língua. Coube também a ele traduzir e publicar as duas coletâneas de leis hititas, que tantos esclarecimentos trouxeram sobre a cultura desse povo.





5.30.2012

EGIPTO - Província Romana


               PTOLOMEU E AUGUSTO DE ROMA

Egito Ptolomaico

O período ptolomaico no Egito tem lugar após a morte de Alexandre (323 a. C.). O poder foi herdado por um dos generais de Alexandre, Ptolomeu, proveniente da nobreza e dotado de cultura e astúcia enormes. Num primeiro momento associa ao poder Kleomeno, mas acaba por mandá-lo assassinar, proclamando-se rei em 304 a. C. É ele que vai dar origem à dinastia dos Lágidas, que se estende por três séculos, ao longo dos quais se sucedem quinze reis com a particularidade de todos eles se chamarem Ptolomeu. É através da sua ação que se imporá a cultura helenística no Egito, fruto da miscegenação entre Gregos, Macedónios e a população local, mas tendo em conta e adotando as tradições egípcias locais nos campos do poder, do cerimonial e dos cultos religiosos.
                                                  Ptolomeu I - Soter I

Em 312 a.C., Ptolomeu I do Egito capturou Jerusalém, e Judá tornou-se uma província do Egito ptolemaico até 198 a.C. Daí, na longa contenda com o Império Selêucida, na Síria, o Egito finalmente perdeu o controlo da Palestina quando o rei sírio Antíoco III derrotou o exército de Ptolomeu V.
                                               
                                                  Otávio Augusto

Depois disso, o Egipto gradualmente caiu sob a influência do Império Romano. Em 31 a.C., na Batalha de Áccio, Cleópatra desertou a esquadra de Marco António, seu amante romano, que foi derrotado por Otávio, sobrinho-neto de Júlio César. Otávio Augusto passou a conquistar o Egipto em 30 a.C., e o Egipto tornou-se uma província romana. Na tradição cristã, foi para esta província romana que José e Maria fugiram com o menino Jesus, a fim de escapar do decreto assassino de Herodes, só voltando depois da morte de Herodes.



Roma apoderou-se do Egipto e por isso este perdeu a independência de que sempre usufruíra, apesar de ser governado por reis estrangeiros, como foi o caso do anterior período. O Egipto era um trunfo muito especial para o imperador, pois era um país cheio de prestígio, fácil de defender e fornecia o trigo necessário a Roma.

Quem passou a governar o Egipto foi o imperador, que adopta o estatuto de descendente dos faraós, como já tinham feito os soberanos lágidas. Devido à impossibilidade de o imperador estar presente no território, fazia-se representar por um prefeito da ordem equestre, da sua confiança, instituído de amplos poderes administrativos, jurídicos e militares.

O sistema de administração local e regional não foi muito modificado, pois a divisão administrativa em nomos do período anterior continuou a vigorar, permanecendo a circunscrição fiscal fundamental, mas agora sob o governo de cavaleiros romanos.

O regime agrário também não se modificou: as terras reais e sagradas tornaram-se terras imperiais e mesmo as terras de proprietários privados eram controladas pelo imperador. Muitas delas foram sujeitas a confiscações. Para além do grande domínio sobre este sector da economia, o imperador ainda tinha o monopólio sobre as minas, as salinas e a produção de papiros. Sob o governo romano, o Egipto foi pesadamente explorado, através da enorme quantidade de regras e impostos. Por exemplo, os indígenas, tal como os escravos e os animais domésticos, eram obrigados a pagar um imposto; os artesãos pagavam uma taxa, os sacerdotes pagavam para poder ter acesso ao sacerdócio. Também recaíam taxas sobre os médicos, os mercadores, os guardas, e não raras vezes eram lançados impostos extraordinários. Naturalmente que esta carga contributiva provocou variadas revoltas entre os que eram directamente afectados.

As diversas etnias presentes no território mantiveram os seus costumes, língua e religião. Os Romanos representavam uma parte muito pequena da população, composta por Macedónios que mantinham uma posição confortável, por Alexandrinos com privilégios que se estendiam à partilha de cargos administrativos com os Romanos, por persas também detentores de prestígio e finalmente por Egípcios que demonstram uma cultura helenizada e beneficiavam de certas regalias, embora não tão bem aceites como os restantes, facto que se poderá comprovar pela restrição máxima de casamentos entre Romanos e Egípcios. Os escravos eram mantidos numa posição muito baixa.

Durante a dominação romana manteve-se a dualidade de cultos: os gregos adoptaram um culto imperial muito semelhante ao que era praticado no período ptolemaico e os Egípcios continuavam ligados aos seus cultos tradicionais.

A cultura helenística ainda era predominante, no entanto verificou-se uma decadência artística. Apesar desta abertura aos gregos e aos indígenas, exceptuando os Alexandrinos, era-lhes vedada a possibilidade de se tornarem cidadãos romanos.

Foi toda esta diversidade que tornou o Egipto um país tão exótico, marcado pela convivência nem sempre pacífica dos vários povos que o habitaram. O período romano foi a última etapa de uma história grandiosa.